Feeds:
Artigos
Comentários

Posts Tagged ‘crónica’

20130223-002858.jpg
Foto: http://www.loc.gov/folklife/lomax/spain/images/MurciaSpain.jpg

Algures no tempo, há mais de 25 anos, eu e alguns colegas de escola tentávamos escrever canções. Lembro-me de um dia irmos para um sótão catita que o Miguel (o Cami), e o irmão, tinha e de tentarmos fazer uma canção; saía uma coisa à xutos, com todos os acordes que sabíamos; menos Fá, que era difícil para nós!
O primeiro texto que fiz, expressamente para ser uma canção, e que aconteceu ser musicada independentemente pelo meu amigo “john”, foi este “contador de historias”!
Era uma canção catita…
O século já não é o mesmo, mas o texto ainda me parece actual.

Contador de histórias

Era uma vez um mundo
Que ouvia as minhas histórias
Semeava com elas sonhos
Cheios de fantasia

Mas isso foi há muito, muito tempo
E agora, tudo mudou
Já ninguém quer saber de fantasia
Toda a gente esqueceu o que eu sou!

Sou um contador de histórias
Perdido no tempo de hoje
Conto façanhas e vitórias
Conto contos que ninguém ouve

É duro, viver no século vinte
Quando já se acabaram as fadas
Quando já se vive no limite
De umas vidas maquinadas

É duro, estou só e sozinho
que espécie de histórias as de agora?
São histórias só de desatino
Sem cor, sem brilho e sem história

Sou um contador de histórias
Perdido no tempo de hoje
Conto façanhas e vitórias
Conto contos que ninguém ouve

8 Novembro 1987
Paulo Nogueira

Anúncios

Read Full Post »

Parece-me incrível! Passaram mesmo 25 anos. O que é realmente muito tempo…

Lembro perfeitamente de solitariamente me agarrar ao televisor pela noite fora e de saltar de alegria com o feito de Carlos Lopes.
Lembro-me de correr pela casa a anunciar a proeza. Os meus pais acordados a meio do sono receberam as novas com incredulidade. “É mesmo verdade!”

Eu e o meu amigo P.R. começámos a fazer corridas mais longas e mais a sério… Acho que algures no fundo de nós passámos a acreditar que o Carlos Lopes tinha aberto uma caixa que tornava tudo possível. E é certo que abriu… Mas não basta ter as portas abertas, é preciso acreditar, lutar e querer como CL fez!

Algum tempo mais tarde, não muito, creio que terá sido ainda no mesmo ano, o grande CL passou pela minha terra (aquela em que eu vivia), no restaurante em que decorria o casamento da minha prima paterna mais velha. Alguém o convidou para se juntar à festa, creio que terá sido o próprio noivo, mas a memória falha-me neste detalhe. Ele, na sua habitual simplicidade, aceitou. Eu vi-o entrar, de um salto, dirigi-me para ele e apertei-lhe a mão. Não faço a minima ideia do que lhe terei dito. Espero ter dito algo com sentido e compreensível. É certo que me apertou a mão!

Para mim, com 15 anos, foi como apertar a mão de um heroi grego que tinha atingido o estatuto de Deus do Olimpo.

Passados estes anos todos, a dimensão da façanha ainda se me afigura fantástica, talvez já não lhe atribua a pendor divino. Mas para mim Carlos Lopes continua a ser um herói e as portas continuam abertas…

Read Full Post »