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Archive for the ‘Uncategorized’ Category


Está nas bancas este número fora-de-série da revista Science et Vie à qual vale a pena dar uma vista de olhos!
No essencial o que podemos ver são 44 imagens de de duas folhas (pouco mais que um formato A3), fotografias do universo desde o infinitamente grande (10^26 – 10 mil milhões de anos luz) até ao infinitamente pequeno (10^[-17] – dez attometros).
Estas imagens podem ser seguidas na animação na página desta publicação. onde se ganha em perceber os diferentes focos que se vão fazendo: a via láctea, a terra, a França, Paris, pele, moléculas, átomo, etc. A animação permite ver o essencial… a revista vale a pena pela grandeza das imagens e a qualidade da impressão.
É importante ter em mente que algumas imagens ainda estão fora do nosso alcance de observação e são ainda apenas interpretações artísticas de conhecimento teórico que possuímos actualmente. De qualquer maneira é uma abordagem interessante! Talvez não seja particularmente original, mas é bem executada e uma boa actualização do conhecimento corrente.
Espreitem! Vejam se gostam como eu gostei.

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Parece-me incrível! Passaram mesmo 25 anos. O que é realmente muito tempo…

Lembro perfeitamente de solitariamente me agarrar ao televisor pela noite fora e de saltar de alegria com o feito de Carlos Lopes.
Lembro-me de correr pela casa a anunciar a proeza. Os meus pais acordados a meio do sono receberam as novas com incredulidade. “É mesmo verdade!”

Eu e o meu amigo P.R. começámos a fazer corridas mais longas e mais a sério… Acho que algures no fundo de nós passámos a acreditar que o Carlos Lopes tinha aberto uma caixa que tornava tudo possível. E é certo que abriu… Mas não basta ter as portas abertas, é preciso acreditar, lutar e querer como CL fez!

Algum tempo mais tarde, não muito, creio que terá sido ainda no mesmo ano, o grande CL passou pela minha terra (aquela em que eu vivia), no restaurante em que decorria o casamento da minha prima paterna mais velha. Alguém o convidou para se juntar à festa, creio que terá sido o próprio noivo, mas a memória falha-me neste detalhe. Ele, na sua habitual simplicidade, aceitou. Eu vi-o entrar, de um salto, dirigi-me para ele e apertei-lhe a mão. Não faço a minima ideia do que lhe terei dito. Espero ter dito algo com sentido e compreensível. É certo que me apertou a mão!

Para mim, com 15 anos, foi como apertar a mão de um heroi grego que tinha atingido o estatuto de Deus do Olimpo.

Passados estes anos todos, a dimensão da façanha ainda se me afigura fantástica, talvez já não lhe atribua a pendor divino. Mas para mim Carlos Lopes continua a ser um herói e as portas continuam abertas…

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S. João da Cruz

Na secção de música da revista Actual do semanário Expresso #1917 de 25 de Julho 2009, deparei com um texto sobre o projecto Dark Night of The Soul…
“Este disco não existe”, escreve João Lisboa, o autor da crónica. O objecto de arte a que se refere apenas contém fotografias, tanto quanto percebi assinadas por David Lynch e inclui um CD virgem (parece que a obra em causa esclarece desde logo que tal acontece por motivos legais).
A crónica esclarece que podemos ouvir o album por completo em http://www.npr.org “sem sujar as mãos”… e pode mesmo, embora se possa demorar um pouco a perceber como… eu fiz um busca no sítio npr.org pelo nome do projecto “Dark Night of the Soul” e cheguei a esta ligação.
O que me trouxe a escrever esta crónica e a falar nesta obra sui generis (não tivesse David Lynch a ela associado) foi o pormenor citado por João Lisboa, de o título “dark night of the soul” se inspirou em “la noche oscuraa del alma”, do místico S. João da cruz!
Ora, aconteceu que pouco antes de ler esta secção do semanário tinha visto um programa na RTP 2 sobre o quadro de Dali de 1951 chamado… cristo de S. João da Cruz!
Senti-me profundamente ignorante… E de facto, ou sou profundamente ignorante ou estou só perante uma grande coincidência de no mesmo dia dar de caras com duas referências distintas a um frade espanhol do século XVI que foi santificado pela igreja católica….

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A curiosidade levou-me a tentar saber algo sobre a poesia japonesa. E na verdade nada como um paperback low cost para nos por num caminho escondido algures na nossa mente…

Descobri que há todo um mundo que eu não conhecia. Na origem o poema japonês era de métrica e tamanho incertos. Inicialmente terão prevalecido os poemas longos (choka ou shoka) que terão dado lugar aos poemas curtos no final do séc. VIII (tanka ou waka). Estes poemas curtos evoluíram de forma a serem rápidos com frases de 5 e 7 sílabas, normalmente na sequência 5 7 5 7 7 num total de 31 sílabas.

Como é obvio ainda não li o livro todo… não é o tipo de literatura que simplemente se segue de fio a pavio. Para já ainda só me debrucei sobre textos do Manyoshu (o livro das 10000 folhas), a primeira compilação de poesia do Japão feita pelo Poeta Ôtomo no Yakamochi em 759-760. Nesta antologia o manyoshu ocupa até à página 102 das suas 250 páginas.

Resolvi avançar para a tradução de um dos poemas. Obviamente que pesa nesta aventura a minha eventual limitação no francês e a mui certa ignorância de aspectos importantes da cultura nipónica.

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[sobre a morte do seu filho Furui]

Mesmo que possuísse
Os sete tipos de tesouros
Que as pessoas deste mundo
Tanto prezam,
Que uso
Deles faria eu?
Nascido
De nós dois,
Meu filho Furui
Qual Pérola branca
À aurora radiosa
Onde brilha a estrela da manhã,
Sem deixar o nosso leito
De fino tecido estendido,
Levantado
Ou sentado,
Brincaria
Connosco.
Quando a estrela da tarde
Trazia a noite:
«Vamos deitar-nos»
Dizia ele pegando na minha mão,
Pai, mãe,
Fiquem junto de mim
Entre vós quero eu dormir
Como o pedaço mediano da erva saki.
Gentilmente
Ele falava assim,
Eu queria ter visto e que males
E que felicidades lhe estariam reservados
Quando um dia,
Ele se tivesse tornado homem.
Eu estava confiante e pleno de esperança
Como quando se está dentro duma grande barca.
Imprevisto,
Um vento veio de través
Soprou violentamente
Sobre as nossas cabeças.
Sem saber o que fazer,
Confundido,
Eu fixei
Erguidas as minhas mangas com tecido branco,
Um claro espelho
Tomei eu em mão.
Para os deuses do céu
Levantando os olhos não fiz mais que implorar.
Perante os deuses da terra
Me prostrei, face contra solo.
Submeti-me à vontade
Dos deuses do céu e da terra;
Que eles me satisfaçam
Ou não me ouçam.
Aflito
Supliquei-lhes.
Mas, mesmo por um pouco de tempo
Não houve melhoras.
Pouco a pouco
O seu corpo emaciou,
Manhã após manhã,
As palavras pararam nos seus lábios.
De sua alma à existência limitada
A sua vida se interrompeu.
Eu pulei,
Bati o pé, gritei,
Caindo ao chão olhei para o céu
E solucei
Deixei voar o meu filho
Que guardava nos meus braços
Tal é a maneira deste mundo.

[poema curto]
Se jovem ele é
Que não conhece o caminho:
Eis aqui pra ti,
Mensageiro do submundo
Carrega-o e fá-lo passar!

[outro poema curto]
Fazendo a oferta de um tecido
Rogo e imploro aos deuses.
Sem o deixar errar
Conduzam-no sem desvio,
Ensinai-lhe o caminho do céu!

[Yamanoue no Okura]
Man. V; 904-906

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Espero que gostem!
PN

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