Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for the ‘Filmes’ Category


Quando há umas semanas passei pela FNAC e encontrei o DVD “CALÍGULA”, olhei para o topo do DVD que dizia “Edição Imperial 2 discos” e para os nomes dos actores, Malcolm McDowell, Peter O’Toole, John Gielgud e Helen Mirren, não me lembro de ter olhado para a parte de baixo que dá título a este post. Virei para a parte de trás e achei interessante tratar-se de um filme feito há 30 anos atrás.

Para quem, como eu, apreciou as séries “Roma” (temporada 1 e 2) e “Eu, Cláudio” (que revi exactamente nesta ordem mais ou menos recentemente), passar por uma obra que alude à dinastia dos Júlio-Cláudio parece sempre uma oportunidade de actualizar o conhecimento sobre a história Romana…

Ora, em abono da verdade, nada me preparou para a surpresa que eu iria ter…

Eu devia ter reparado que nenhum realizador/director era directamente citado e que “Penthouse films international” constava nos créditos e que isso tinha de significar qualquer coisa!

Imaginem quando o filme começa com uns rabiosques ao léu… e depois se avança para Capri , onde vive o septuagenário imperador Tibério, onde parece existir todo o tipo de variedade explicita de sexo … QUE RAIO É QUE ESTÁ A ACONTECER AQUI!!! Felizmente estava só com a esposa e lá escorri umas desculpas por não saber que o filme era… tão explícito! Imaginem que tinha a casa cheia, com a prole, os amigos, etc., e dizia: “pessoal… vamos aqui ver um filme interessante sobre imperador Calígula.” Teria sido lindo…
Enfim…

O filme tinha definitivamente potencial. Já descrevi acima os actores mais sonantes… nada mal! O Guião feito por Gore Vidal… o título original era para ser “Calígula de Gore Vidal”. Não é para toda a gente.
Quando se está desprevenidamente a ver o filme há de facto vários andamentos diferentes, o excesso de cenas explícitas e, pior, despropositadas, vai aumentando ao longo dos 155 minutos de filme… inevitavelmente, para ver o final esperado do filme, tivemos de recorrer ao fast forward porque tudo já tinha perdido o interesse!

Quando fui ver o material do DVD 2, tudo começou a fazer mais sentido. Imaginem o ex-actor John Steiner que fez de secretário de Calígula Cassius Loguinus, na actualidade, a dizer abertamente que detesta o filme… que foram bons tempos, que sanou as suas finanças com o filme, mas que odeia o filme e o que os produtores fizeram ao realizador Tinto Brass… – Hello this is a Soap Opera! – John Steiner continua o seu depoimento como progrediu pessoalmente, abandonando a carreira de actor para se dedicar ao imobiliário.
Ora aqui estão dois pontos de interesse e de reflexão:
1) Os produtores do DVD editam conteúdo do próprio DVD a dizer mal do seu próprio conteúdo principal!
2) Como é que os actores fazem a transição das suas carreiras quando estas começam a desvanecer?

Depois na mesma linha temos mais uma “conversa” com uma Pent-Girl, Lori Wagner, também na actualidade, que confessa que na altura fez o que fez porque queria ser famosa e que quando lhe ofereceram o papel acreditou que tinha umas linhas para dizer… mas não teve, por mais impressionante que isso seja!

Segue-se a “conversa” do quase-realizador Tinto Brass, que nos conta as peripécias do que se passou acerca de 30 anos. Na sua versão foi uma colisão “egos” – Egotrips, diz ele. O Ego do Gore Vidal, argumentista, e ego dos produtores Guccionni e Rossellini. Os processos judiciais e mais umas quantas coisas…

Acaba por ser claro que a obra que existe é um produto mutilado que teve de obedecer a umas quantas linhas de orientação diferentes, e os zigzags são perceptíveis e danificam o fluxo normal da obra expectável … (certamente mais espectável).

Tinto Brass refere que existem pessoas que gostariam de ter visto a sua versão, mas ele próprio já não tem interesse nisso… que tem pena, que o filme devia sobre a orgia do poder e não sobre o poder da orgia!

Fico com a impressão que não faz sentido, se o material original filmado existe, que não se faça uma nova versão de Calígula diminuindo drasticamente o conteúdo “explícito”. Talvez daqui a 20 ou 30 anos…
PN

Anúncios

Read Full Post »

A interessante crónica do João César das Neves no diário de Notícias de hoje (16-2-2009) fez-me lembrar que terminei a leitura do livro “O confessor” de Daniel Silva, e para adensar a temática do holocausto também vi o filme “o leitor”

Vamos lá, a temática do holocausto não me interessa particularmente. Como é óbvio preferia que o holocausto não tivesse existido e que dele só tivéssemos uma versão imaginária, mas temo que tenha sido bem real.

Quanto ao Livro de Daniel Silva, peguei nele um pouco por acaso, por ser o número 1 de uma colecção livros de bolso da colecção best-seller que estão a ser publicados pela Editora Bertrand, com o sentido de começar por uma ponta, embora já tenha lido o livro de Marc Levy que creio ser o número 5. Portanto nenhum motivo especial me levou a ler o livro.

O Confessor lê-se bem, existe a promessa de que existe um terrível segredo que motiva todas aquelas peripécias e mortes, mas quando a revelação surgiu, apesar de interessante, a distância temporal dos eventos pareceu-me uma razão ténue para justificar os eventos em curso no livro. Passando esse facto tudo bem…

Pareceu-me mais interessante reflectir no facto de nos estarmos a distanciar da 2ª Guerra Mundial, e que isso está a influenciar a maneira como se constroem as histórias em torno desse evento.

Colocar uma qualquer história em torno da 2ª Grande Guerra estabelece desde logo todo um cenário, um contraste entre o bem e o mal, os bons e os maus, que não é fácil de igualar noutros enquadramentos.

No caso de “O confessor” aquele evento só serve de uma razão distante e a acção ocorre num tempo mais ou menos presente com uma trama mais ou menos complexa nos meandros dos Vaticano onde habita um hipotético sucessor do polaco, Paulo VII.

No caso do filme “O leitor” a história é contada da perspectiva de alguém na Alemanha (de leste) em 1995 e que participou de forma tangencial nos eventos da história que consistem em vivências concretas da guerra vividas por uma personagem com quem se cruzou algures no passado.

As guerras não são necessárias para o que quer que seja, muito menos as grandes guerras, mas são cenários relevantes
para escrever histórias. As histórias que agora se parecem escrever/contar começam a ter alguma dificuldade de enquadramento temporal quando pretende usar a 2ª Grande Guerra como cenário principal. Assistimos agora a exercícios algo elípticos difíceis de disfarçar. Não deixam de ser exercícios interessantes… Fica no entanto a dúvida como é que no futuro próximo, em 2020 ou 2030, se escreverão histórias que toquem directamente as pessoas adultas jovens usando o cenário da última grande guerra? Terão de ser arranjados outros cenários simples? Serão esses cenários reais ou completamente ficcionais? Seja como for, terão de haver outros filões para escrever novas histórias tão ricas como aquelas que se escreveram e ainda se escrevem em torno dos eventos da 2ª Guerra mundial.

Crónicas sobre este livro:
em ocomerciodoporto.blogspot.com
em entreleituras
em jornalalenquer

PN, 16-2-2009

Read Full Post »