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Archive for Fevereiro, 2013

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Ventos de leste

 

Será este fumo de algum fogo?

Será chama que promete arder?

Sopram ventos de leste para sempre

Eu não sei bem, que dizer

 

A liberdade ganha voz

Pr’além do corpo que não parecia ter

Todos temos um sonho hoje

Eu não sei mais, que querer

 

Vem!

Vem daí revolução!

 

Há sempre algo em que acreditamos

Sempre alguém que faz algo acontecer

Temos finalmente novas visões

Eu não quero, pedir mais

 

Sobram homens que vão lembrar

Que há um passado pra sempre esquecer

Todos queremos algo mais

O passado, não, nunca mais

 

Vem!

Vem daí revolução!

 

31 Outubro 1989

Paulo Nogueira

 

A história deste tema é simples, o meu amigo “John” quis escrever uma canção sobre o que estava a acontecer, sobre o Gorbachov e a mudança que se sentia vinda de Leste. Não me lembro se ele sugeriu todo o título, tenho a sensação que sim. Lembro-me claramente de lhe ter sugerido as duas primeiras frases: “será este fumo de algum fogo? Será chama que promete arder?” e de ter recebido concordância: “é isso!”. E o texto surgiu facilmente.

A canção que surgiu era orelhuda. Como todas as outras, não foi muito longe; mas era orelhuda. Tinha um lado mais pop que claramente me agradava.

Nesta altura, 1989, procurávamos ser relevantes nas temáticas; queríamos ser mais U2 que Duran, creio. Simon Le bon e companhia ainda não tinham escrito Ordinary World, Come Undone, Too Much Information e Sin of the city…

Só recentemente é que me apercebi da relevância do texto e da canção que fizemos então. Isto aconteceu dias antes da queda do muro de Berlim  não creio que nos tenhamos apercebido que tínhamos escrito o tema sobre a envolvência em curso e que tudo aquilo culminava na queda do muro, que tudo estava ligado. Acho que estávamos demasiado ocupados: Eu, com o começo do meu segundo ano de faculdade; o “John” com a ascensão da empresa de informática onde trabalhava; e o “Cami” a divertir-se com a tuna…

Visto hoje à distância, estavam a acontecer coisas interessantes em todo o lado; nós estávamos a ser realmente o que queríamos (relevantes); estávamos todos em momentos fundamentais das nossas vidas mas não víamos isso, ansiávamos ser relevantes mas achávamos que éramos exactamente o contrário.

A verdade, sei-o bem hoje, todos os momentos das nossas vidas são relevantes!

“será este fumo de algum fogo?

será chama que promete arder?”

– Claro que sim! Poderia ser de outra maneira?

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Volto hoje a mais um texto meu com 25 anos, também escrito expressamente para uma canção.

A melhor recordação que tenho deste texto é a do meu amigo “John” chegar junto de mim e dizer-me, já está! Começa num clássico mi menor, e a canção era linda e seguia o texto de fio a pavio… como é que aquilo era possível?

Não me lembro da razão da temática do texto ser esta. Quase certamente era puramente ficcional. Tenho a sensação que a ideia começou em torno do nome Maria e que a escrita terá tido alguns tons de Biliie Jean… 

Aqui fica, para que não permaneça na gaveta mais um quarto de século 🙂

 

Maria (se tu soubesses)

Maria tinha os olhos tristes

E uma expressão de cansada

Mas sorria da dor que alimentava

E não tremia do frio que tinha

Nem confessava nada do que temia

 

Maria! Quem te provocou essas lágrimas

E não te as enxugou?

Oh Maria! Quem te beijou os lábios

E não te amou?

Oh Maria! se tu soubesses

Se tu soubesses Maria

 

Ninguém sabia os seus segredos


E ninguém tinha a sua vontade


E ela não sabia o que era verdade


Mas não temeu com um filho nos braços

Nem renunciou aos seus pecados

 

Maria! Quem te provocou essas lágrimas

E não te as enxugou?

Oh Maria! Quem te beijou os lábios

E não te amou?

 

Oh Maria! se tu soubesses

Se tu soubesses Maria

Que eu não censuro o teu passado


Se tu soubesses 


Que eu nada temo de factos consumados

Se tu soubesses

 

 

Fevereiro 1988

Paulo Nogueira

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Foto: http://www.loc.gov/folklife/lomax/spain/images/MurciaSpain.jpg

Algures no tempo, há mais de 25 anos, eu e alguns colegas de escola tentávamos escrever canções. Lembro-me de um dia irmos para um sótão catita que o Miguel (o Cami), e o irmão, tinha e de tentarmos fazer uma canção; saía uma coisa à xutos, com todos os acordes que sabíamos; menos Fá, que era difícil para nós!
O primeiro texto que fiz, expressamente para ser uma canção, e que aconteceu ser musicada independentemente pelo meu amigo “john”, foi este “contador de historias”!
Era uma canção catita…
O século já não é o mesmo, mas o texto ainda me parece actual.

Contador de histórias

Era uma vez um mundo
Que ouvia as minhas histórias
Semeava com elas sonhos
Cheios de fantasia

Mas isso foi há muito, muito tempo
E agora, tudo mudou
Já ninguém quer saber de fantasia
Toda a gente esqueceu o que eu sou!

Sou um contador de histórias
Perdido no tempo de hoje
Conto façanhas e vitórias
Conto contos que ninguém ouve

É duro, viver no século vinte
Quando já se acabaram as fadas
Quando já se vive no limite
De umas vidas maquinadas

É duro, estou só e sozinho
que espécie de histórias as de agora?
São histórias só de desatino
Sem cor, sem brilho e sem história

Sou um contador de histórias
Perdido no tempo de hoje
Conto façanhas e vitórias
Conto contos que ninguém ouve

8 Novembro 1987
Paulo Nogueira

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