Feeds:
Artigos
Comentários

Archive for Julho, 2010

Eu já tinha tentado ler Paul Auster antes, mas, creio que essencialmente por falta de disponibilidade mental e temporal, nunca tinha conseguido ler muitas páginas seguidas e não tinha assim ainda uma noção mínima sobre o Autor.
Este pequeno período de férias e de fugas à rotina habitual permitiu-me pegar neste travels in the scriptorium e lê-lo de lés-a-lés num dia soalheiro. Obviamente que uma tal partida naïve para uma obra destas tem consequências, pensava eu que estava a ler um livro como todos os outros e ia buscando sentido em tudo o que ia lendo… mas havia sempre algo que não encaixava! Quando finalmente se atinge a recursividade absoluta e lemos novamente as palavras iniciais e elas parecem ter outro significado, percebi eu, que toda a história não tinha o sentido que lhe almejava.
No global pareceu-me essencialmente um exercício sobre a construção de um mundo que só existe enquanto existe o escritor que a escreve… Os personagens são reais enquanto o escritor escreve, a situação é absolutamente verosímil, mas não existe vida propriamente dita… talvez exista castigo, mas enfim, tão real como tudo o resto.
No final, final, final… quis gostar mas não gostei muito… reconheço o engenho e a arte mas pareceu-me curto.

Quis depois compreender se eu tinha percebido tudo mal e procurei de forma breve comentários sobre esta obra. Foi rápido perceber que não serei o único a ter algumas reticências difíceis de definir.
Uma primeira ligação mostrou-me que esta obra se insere num universo próprio do autor que potencialmente só pode plenamente ser compreendido pelos seguidores da obra senão apenas os fãs. Ok, Muito bem. Há um mundo mais ou menos hermético que eu não conhecia à partida… qual seria a minha reacção se tivesse lido esta obra depois das que a precedem? Fico com a certeza de que seria diferente, que certamente gostaria mais e talvez não tivesse buscado incessantemente sentido no que ia lendo.
Uma ligação dá conta das perplexidades de alguns dos revisores da obra.

Parece-me sempre algo bom quando uma obra diz algo que se segue com facilidade e deixa umas pontas soltas para reflexão sem nunca realmente se esgotar. Não sei bem porquê mas disso gosto!

Anúncios

Read Full Post »

Passarola rising dá-nos uma realidade alternativa interessante sobre as ambições de Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Existe ao longo de todo o romance uma áurea de verosimilhança que nos faz querer que tivesse mesmo sido assim que as coisas tivessem acontecido. É óbvio que infelizmente a passarola nunca esteve perto de ser tão real como ela surge neste primeiro romance de Abidi… Se tivesse tido assim tão realmente demonstrável o rei português, que tinha de facto investido na ideia, não a teria deixado partir de forma tão fácil.
Apesar de ser leitura fácil e de abordar questões importantes como a Fé e a Ciência na era do Iluminismo acaba por ter uma perspectiva “demasiado” histórica… Pessoalmente acho que o romance teria ficado mais interessante se não houvesse uma espécie de fecho feito pelo irmão mais novo de Bartolomeu, Alexandre, e tivesse ficado algo ao leitor para imaginar e concluir.

Merece uma leitura adicional esta revista e entrevista com o autor Clique aqui.

Read Full Post »


Foi publicado pela Aletheia Editores, no passado mês de Junho, este livro do Filósofo Antony Flew (falecido recentemente), que nos conta na primeira pessoa a sua evolução pessoal de 60 anos de convicção ateia até à sua conclusão, em 2004, racional de que deus existe.
Lê-se no capítulo 10, página 133, “[…] a viagem da minha descoberta do Divino foi até aqui uma peregrinação da razão. Segui a razão até onde ela me levou. E ela levou-me a aceitar a existência de um Ser auto-existente, imutável, imaterial omnipotente e omniscente [enfâse meu].

Pessoalmente estou convicto de que a existencia de um ser supra espaço e tempo é apelativa. Porque sugere um enquadramento lógico e verosímil. Mas abre o precedente de pensarmos seriamente numa suprema dimensão, fora do espaço e onde fica então disponível a oportunidade para criar o Espaço e a Luz e naturalmente, por inerência, o tempo. Em tal contexto será obrigatório que esse ser seja omipotente e omnisciente. Acho que uma analogia é pensar neste ser como alguém que tem perante si uma máquina como um computador que pode usar como muito bem entende, que desenvolve um software com um conjunto de regras que permite a evolução de um universo na memória e disco inicialmente inerte da máquina. Imaginemos que o computador tem uma capacidade de processamento, que os 14 mil milhões de anos de evolução actuais do nosso universo ocorreram em qualquer coisa como o equivalente a 14 segundos na dimensão suprema. O ser terá poder sobre tudo, pode intervir quando quiser. Imaginemos ainda que ao 20 segundos da dimensão suprema não gosta da tendência do “nosso” universo e carrega no botão de “escape”, faz um pequeno ajuste nas condiçoes iniciais e recomeça a simulação… Que teríamos agora? uma reconstrução do Universo? uma versão nova do nosso universo? um multiverso?
Gosto destas ideias! Mas ocorrem-me depois questões adicionais… porquê só um ser? Quem será Deus? o ser que carrega no botão, o que ajusta as regras iniciais, o construtor do “computador”? Se existisse uma suprema dimensão porque teria apenas um ser?
E mais gosto destas ideias! E se na suprema dimensão existe um colectivo que leva ao ser que faz experiências no “computador” que gosta que surjam colectivos que podem criar os seus computadores e criar os seus mundos? não faria isso de nós seres criados à imagem do criador? e se tomassemos o rumo de eventos que levam ao destino que Deus quer não evitaria tal uma utilização de tecla de “escape” e uma reformulação das regras iniciais? Não faria tal também de nós de alguma forma divinos? Acho que sim, que faria. E acho também que a consciência de tal realidade abrir-nos-ia novos horizontes, enfrentar um nova era e uma dimensão colectiva renovada.

Sei que esta minha analogia é ousada e eventualmente descabida. Mas creio que encerra parte do que apreendi do livro e tenta abrir novas ideias para reflexão.
Gostei particularmente da analogia do telemóvel que segue a segunda parte do Livro de Flew esta minha não teria existido se fosse aquleoutra e este livro.

O livro vale a pena. Para uma primeira edição pareceu-me extremamente competente, sem gralhas ou indícios de qualquer desleixo. Merecia eventualmente uma melhor capa. Esta versão inclui dois anexos que trazem algum valor adicional. O primeiro anexo com o título “O «novo ateísmo»: uma apreciação crítica de Dawkins, Dennett, Wolpert e Stenger” e o segundo “A auto-revelação de Deus na história humana: um diálogo com N.T. Wright sobre Jesus”.

Entretanto encontrei na blogosfera um artigo sobre este livro que direcciona para o link a seguir que disponibiliza o conteúdo completo do livro que pode ser de interesse para quem se interessa pelo assunto.
DEUS EXISTE – Antony Flew

Read Full Post »