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Archive for Fevereiro, 2009


Quando há umas semanas passei pela FNAC e encontrei o DVD “CALÍGULA”, olhei para o topo do DVD que dizia “Edição Imperial 2 discos” e para os nomes dos actores, Malcolm McDowell, Peter O’Toole, John Gielgud e Helen Mirren, não me lembro de ter olhado para a parte de baixo que dá título a este post. Virei para a parte de trás e achei interessante tratar-se de um filme feito há 30 anos atrás.

Para quem, como eu, apreciou as séries “Roma” (temporada 1 e 2) e “Eu, Cláudio” (que revi exactamente nesta ordem mais ou menos recentemente), passar por uma obra que alude à dinastia dos Júlio-Cláudio parece sempre uma oportunidade de actualizar o conhecimento sobre a história Romana…

Ora, em abono da verdade, nada me preparou para a surpresa que eu iria ter…

Eu devia ter reparado que nenhum realizador/director era directamente citado e que “Penthouse films international” constava nos créditos e que isso tinha de significar qualquer coisa!

Imaginem quando o filme começa com uns rabiosques ao léu… e depois se avança para Capri , onde vive o septuagenário imperador Tibério, onde parece existir todo o tipo de variedade explicita de sexo … QUE RAIO É QUE ESTÁ A ACONTECER AQUI!!! Felizmente estava só com a esposa e lá escorri umas desculpas por não saber que o filme era… tão explícito! Imaginem que tinha a casa cheia, com a prole, os amigos, etc., e dizia: “pessoal… vamos aqui ver um filme interessante sobre imperador Calígula.” Teria sido lindo…
Enfim…

O filme tinha definitivamente potencial. Já descrevi acima os actores mais sonantes… nada mal! O Guião feito por Gore Vidal… o título original era para ser “Calígula de Gore Vidal”. Não é para toda a gente.
Quando se está desprevenidamente a ver o filme há de facto vários andamentos diferentes, o excesso de cenas explícitas e, pior, despropositadas, vai aumentando ao longo dos 155 minutos de filme… inevitavelmente, para ver o final esperado do filme, tivemos de recorrer ao fast forward porque tudo já tinha perdido o interesse!

Quando fui ver o material do DVD 2, tudo começou a fazer mais sentido. Imaginem o ex-actor John Steiner que fez de secretário de Calígula Cassius Loguinus, na actualidade, a dizer abertamente que detesta o filme… que foram bons tempos, que sanou as suas finanças com o filme, mas que odeia o filme e o que os produtores fizeram ao realizador Tinto Brass… – Hello this is a Soap Opera! – John Steiner continua o seu depoimento como progrediu pessoalmente, abandonando a carreira de actor para se dedicar ao imobiliário.
Ora aqui estão dois pontos de interesse e de reflexão:
1) Os produtores do DVD editam conteúdo do próprio DVD a dizer mal do seu próprio conteúdo principal!
2) Como é que os actores fazem a transição das suas carreiras quando estas começam a desvanecer?

Depois na mesma linha temos mais uma “conversa” com uma Pent-Girl, Lori Wagner, também na actualidade, que confessa que na altura fez o que fez porque queria ser famosa e que quando lhe ofereceram o papel acreditou que tinha umas linhas para dizer… mas não teve, por mais impressionante que isso seja!

Segue-se a “conversa” do quase-realizador Tinto Brass, que nos conta as peripécias do que se passou acerca de 30 anos. Na sua versão foi uma colisão “egos” – Egotrips, diz ele. O Ego do Gore Vidal, argumentista, e ego dos produtores Guccionni e Rossellini. Os processos judiciais e mais umas quantas coisas…

Acaba por ser claro que a obra que existe é um produto mutilado que teve de obedecer a umas quantas linhas de orientação diferentes, e os zigzags são perceptíveis e danificam o fluxo normal da obra expectável … (certamente mais espectável).

Tinto Brass refere que existem pessoas que gostariam de ter visto a sua versão, mas ele próprio já não tem interesse nisso… que tem pena, que o filme devia sobre a orgia do poder e não sobre o poder da orgia!

Fico com a impressão que não faz sentido, se o material original filmado existe, que não se faça uma nova versão de Calígula diminuindo drasticamente o conteúdo “explícito”. Talvez daqui a 20 ou 30 anos…
PN

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A interessante crónica do João César das Neves no diário de Notícias de hoje (16-2-2009) fez-me lembrar que terminei a leitura do livro “O confessor” de Daniel Silva, e para adensar a temática do holocausto também vi o filme “o leitor”

Vamos lá, a temática do holocausto não me interessa particularmente. Como é óbvio preferia que o holocausto não tivesse existido e que dele só tivéssemos uma versão imaginária, mas temo que tenha sido bem real.

Quanto ao Livro de Daniel Silva, peguei nele um pouco por acaso, por ser o número 1 de uma colecção livros de bolso da colecção best-seller que estão a ser publicados pela Editora Bertrand, com o sentido de começar por uma ponta, embora já tenha lido o livro de Marc Levy que creio ser o número 5. Portanto nenhum motivo especial me levou a ler o livro.

O Confessor lê-se bem, existe a promessa de que existe um terrível segredo que motiva todas aquelas peripécias e mortes, mas quando a revelação surgiu, apesar de interessante, a distância temporal dos eventos pareceu-me uma razão ténue para justificar os eventos em curso no livro. Passando esse facto tudo bem…

Pareceu-me mais interessante reflectir no facto de nos estarmos a distanciar da 2ª Guerra Mundial, e que isso está a influenciar a maneira como se constroem as histórias em torno desse evento.

Colocar uma qualquer história em torno da 2ª Grande Guerra estabelece desde logo todo um cenário, um contraste entre o bem e o mal, os bons e os maus, que não é fácil de igualar noutros enquadramentos.

No caso de “O confessor” aquele evento só serve de uma razão distante e a acção ocorre num tempo mais ou menos presente com uma trama mais ou menos complexa nos meandros dos Vaticano onde habita um hipotético sucessor do polaco, Paulo VII.

No caso do filme “O leitor” a história é contada da perspectiva de alguém na Alemanha (de leste) em 1995 e que participou de forma tangencial nos eventos da história que consistem em vivências concretas da guerra vividas por uma personagem com quem se cruzou algures no passado.

As guerras não são necessárias para o que quer que seja, muito menos as grandes guerras, mas são cenários relevantes
para escrever histórias. As histórias que agora se parecem escrever/contar começam a ter alguma dificuldade de enquadramento temporal quando pretende usar a 2ª Grande Guerra como cenário principal. Assistimos agora a exercícios algo elípticos difíceis de disfarçar. Não deixam de ser exercícios interessantes… Fica no entanto a dúvida como é que no futuro próximo, em 2020 ou 2030, se escreverão histórias que toquem directamente as pessoas adultas jovens usando o cenário da última grande guerra? Terão de ser arranjados outros cenários simples? Serão esses cenários reais ou completamente ficcionais? Seja como for, terão de haver outros filões para escrever novas histórias tão ricas como aquelas que se escreveram e ainda se escrevem em torno dos eventos da 2ª Guerra mundial.

Crónicas sobre este livro:
em ocomerciodoporto.blogspot.com
em entreleituras
em jornalalenquer

PN, 16-2-2009

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Apocalypse 2012: An Optimist Investigates the End of Civilization, Lawrence E. Joseph 2007. Harper Element, Harper Collins Publishers.

Lembro de me ter apetecido comprar este livro há tempos atrás, mas na altura acabei por não o fazer. Ontem encontrei uma cópia a um preço quase imbatível. Trouxe-o!

Este livro parte das profecias Maias que, baseadas em seculares observações astronómicas traduzidas no respectivo calendário, indicam o dia 21/12/12 como o início de uma nova era que, como todos os nascimentos, será acompanhada por sangue e agonia bem como esperança e promessas. O autor junta-lhe aquilo que julga serem as evidências ou sinais disponíveis que podem mostrar que podemos estar na direcção do lado apocalíptico dessas profecias: 1) a intensa actividade solar recente, com particular ênfase depois de 2003, existindo o argumento de que existirá um pico de actividade solar em 2012; 2) as tempestades solares estão relacionadas com as grandes tempestades de 2005; 3) o campo magnético da terra mostra algumas variações, podendo ocorrer uma drástica diminuição de protecção quando da inversão de polaridade a ocorrer em 2012; 4) uma corrente de geofísicos russos teoriza que o sistema solar entrou numa nuvem interestelar desestabilizará o sol e consequentemente a atmosfera do planeta a ocorrer entre 2010-2020; 5) existem teorias de que existe uma regularidade de mega-catástrofes de 65 milhões de anos, e que já passámos o respectivo limite com 99% de probabilidade; 6) existem super-vulcões, como o de Yellowstone, que se preparam para entrar em erupção; 7) Existem interpretações de filosofias orientais que confirmam de forma plausível o fim da terra em 2012; 8 ) Existe pelo menos uma interpretação da bíblia que confirma a teoria de 2012 e as religiões cristã, Judaica e islâmica esperam a batalha do fim dos tempos.

A perspectiva do autor que é dada no subtítulo do livro, de que se trata da visão de um optimista, tem um lado positivo que torna o livro interessante. Não se trata pois de dar uma visão de que vêm ai o fim do mundo, mas sim de recolher evidências de múltiplos sinais parecem alinhados com o término do calendário Maia.

A parte mais sólida da investigação de evidências pareceu-me aquilo que se relaciona com o estudo da actividade solar, de que existem efectivamente bons registos. Mas nada que se possa estudar num período equivalente ao do calendário Maia.

Muitas referências cruzadas são feitas com a Bíblia e o Corão. O paralelo com o livro do Apocalipse parece fazer sentido [o título do livro aludirá provavelmente a esse facto]. Como é sabido o livro da revelação/apocalipse não alude necessariamente ao fim do mundo, como é vulgar acreditar-se, mas ao fim de uma era. Ora parece exactamente o que está em causa no calendário Maia, a mudança de tempo… Mais intrigante é realmente porque não continuaram o calendário.

Acredito de facto que é isso que está em causa o surgir de uma nova era, de uma nova maneira da humanidade olhar para as coisas. Não estou seguro de que, simples humanos como nós, nos iremos aperceber da mudança. É realmente difícil que uma data muito concreta e um evento muito concreto tenham sido preditos a milhares de anos de distância. Também não estou convicto que seja uma vinda messiânica, embora possa ser algo de carácter mais espiritual.

O livro não trás realmente quaisquer respostas definitivas sobre o assunto. Mas faz um esforço por ser muito bem documentado e de ter testemunhos relevantes. Creio que chega mesmo a ter informação a mais, ficando a sensação de que algumas coisas se tivessem ficado de fora não haveria nisso nenhum mal. A informação é realmente tanta, por exemplo temos disertações sobre a tese do nemesis do sol (Nemesis hypothesis) e temos discussões sobre o código bíblico (Bible code), na verdade só parecem faltar as profecias de São Malaquias e o facto de estarmos actualmente perante o eventual penúltimo papa e que isso pode estar eventualmente em linha com o eventual fenómeno de 2012.

A estrutura do Livro é boa, e o livro é interessante mas precisava de ser mais conciso.

PN, 25-1-2009

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Capa do livro o que Jesus quis dizer Aqui está um livro fácil de recomendar por diversas razões. É um livro bastante pequeno, sem que isso seja um defeito, dado que consegue ser de facto conciso; aborda a temática religiosa de forma simples, clara e mostrando uma muito grande profundidade de todos os actos de Jesus apenas recorrendo ao que consta nas escrituras e com umas achegas de um ou outro autor como é o caso de Santo Agostinho.

Fiquei realmente surpreendido com a particular coerência de todos os actos de Jesus, tal é a perspectiva, a clareza e argumentação do autor. Tive sempre pessoalmente algumas dificuldades com alguns actos de Jesus… Eu nunca tinha percebido o episódio da ressurreição de Lázaro por exemplo. Sempre me pareceu um acto despropositado e injusto, sem que isso me colocasse problemas de maior mas nunca se me tinha encaixado na maneira como via as coisas. Percebi agora que também nunca tinha conseguido localizar correctamente esse acto na linha cronológica, o acto próximo da própria morte de Jesus, a anteceder o domingo de ramos, faz realmente sentido, e tem um propósito. A ideia de que os actos da vida de Cristo não são actuações fortuitas e servem sempre uma linha de pensamento e de espiritualidade profunda é particularmente deliciosa.

Destruam este templo de Deus e erguê-lo-ei em três dias – Afirma Jesus; Como é isso possível, o templo demorou 47 anos a construir. Também aqui é difícil de ver para além do literal, mesmo apesar de o evangelista dizer que ele se referia ao templo que era o seu corpo. Num simples passo de diálogo mínimo encerra-se uma quase desmesurada dimensão, previne que a derrocada do Templo físico é iminente, sendo essa uma eminência física, e anuncia a forma como a ainda mais iminente e eminente derrocada do seu corpo, que definirá uma mudança espiritual, vai acontecer.

É admirável que os eventos vistos a dois milhares de anos de distância façam tanto sentido.

O autor é peremptório que a igreja católica romana, não foi fundada por Jesus, nem sequer por Pedro. Mostra mesmo com argumentos muito sólidos que o que Jesus realmente preconizou está muito longe dos cultos que seguem o seu exemplo. Estão muitas dessas instituições mais próximas daquilo contra o qual ele lutou do que em sincronia com o que defendeu.

A mensagem de Jesus foi particularmente espiritual, foi o anunciar de uma nova dimensão, ele não traz a paz, apresenta o caminho, o reino do céu. O seu reino não é deste mundo. É algo que se conquista com o amor, bastará seguir o novo mandamento, amais-vos uns aos outros como eu vos amei.

É ainda particularmente saboroso o pormenor dos banquetes que existem ao longo dos eventos conhecidos de Jesus, a vida é despojo e de entrega aos outros, sempre com alegria, com quase inusitada abundância. Jesus celebra a abundância, a congregação de iguais, sem necessidade de muitas regras. Os banquetes de Jesus celebram a vida, mesmo a última ceia celebra a vida, o caminho, a partilha, a igualdade e a humildade. É curioso que hoje celebremos abundantemente o ritual da última ceia parecendo mais a celebração da morte de Cristo do que da celebração da vida.

Parece-me óbvio, ainda mais depois da leitura deste livro, que Jesus não está na cruz, está na celebração da vida e na comunhão. Tal como o corpo de Cristo não está na hóstia, está em nós e que se partilha quando nos congregamos de qualquer forma.

21-1-2009

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